Black music: Blues

Hello, black people! Hoje iniciaremos uma série de textos sobre a black music, os gêneros musicais fundados por negros que fazem sucesso até hoje, começando pelo Blues, um dos mais influentes estilos musicais de todos os tempos.

O que é o Blues?

O Blues é um gênero musical que surgiu no final do séc XIX no extremo sul dos Estados Unidos, a partir dos negros que habitavam a região e trabalhavam nas plantações de algodão. É necessário lembrar que o extremo sul dos Estados Unidos (estados como Alabama, Mississipi, Geórgia etc) carregam raízes escravocratas profundas, sendo até hoje detentores de um grande índice de ocorrência de crimes raciais e manifestações supremacistas brancas no geral.

Outro fator importante de ser lembrado é que oficialmente a abolição da escravatura (chamado por lá de ato de emancipação) aconteceu, nos Estados Unidos, no ano de 1863. No entanto, é fácil de se imaginar que em alguns interiores mais afastados, sem fiscalização alguma, essa terrível prática ainda se perpetuava. Além disso, emancipados mas ainda sofrendo de um desumano preconceito, muitos negros não tinham outra alternativa senão continuar trabalhando de forma completamente exploratória nesses campos de algodão.

Como surgiu o Blues?

Como dito no tópico anterior, o Blues se originou dos negros que trabalhavam nas plantações de algodão no extremo sul dos Estados Unidos. Esses negros, descendentes diretos dos povos trazidos da África, traziam consigo a tradição dos cantos religiosos que seus pais e avós passavam boca a boca e que, transportados para os Estados Unidos e ressignificados, receberam o nome de Spirituals.

Além dos Spirituals, outros cantos tradicionais trazidos da África eram os Worksongs, os cantos de trabalho. A união desses dois cantos tradicionais com uma pegada rítmica nova deu origem as primeiras frases de Blues, mais simples, mas que já traziam algumas características canônicas do gênero. É importante dizer que o blues sempre possuiu uma narrativa livre, no entanto, na maioria esmagadora das vezes eram cantadas situações de dificuldade da sociedade afro-americana, incluindo metáforas de amor e do duro trabalho no campo, geralmente associados a tristeza, por isso o nome blues. O azul na cultura norte americana é comumente associado a melancolia, sendo assim, blues é um termo utilizado para designar tanto a cor azul, quanto o sentimento de tristeza.

Como é tocado o Blues?

Partido para uma parte mais técnica do blues, ele é caracterizado por suas letras, linhas de baixo e instrumentos musicais acústicos de origem, mas que foram se “eletrizando” com a crescente popularidade depois da terceira década do séc XX. O primeiro poema tradicional de blues consistia em uma linha repetida quatro vezes. Apenas nas primeiras décadas do século XX que a estrutura atual menos comum (o delta blues) se tornou o padrão: modo AAB, que consiste nas quatro primeiras linhas de canto, seguidas de quatro reproduções repetidas e, em seguida, nas últimas linhas, linhas mais longas.

Uma característica marcante do Blues tocado é a presença de escalas pentatônicas com uma variação chamada de blue note. As blue notes são notas fora da escala, utilizadas para dar uma quebra e transmitir um sentimento de melancolia, são a marca registrada do blues e pode ser executada tanto nos instrumentos quanto no vocal. Alguns pesquisadores apontam também a referência da blue note mais longa no blues tocado ao estalo dos chicotes sentidos pelos negros.

Robert Johnson e o diabo na encruzilhada

O blues, como não podia deixar de ser, tem sua dose de misticismo. Os mais velhos no blues costumavam dizer que para aprender o blues você deveria treinar com seu violão em um cemitério após a meia noite, e daí, os fantasmas iriam te ensinar o verdadeiro blues. Dentro dessas lendas, surgiu a mais popular história sobre o blues, envolvendo um dos músicos que mais popularizou o gênero, o Robert Johnson.

Robert Johnson era um rapaz que sempre se interessou pelo blues e tinha como inspiração os grandes músicos que tocavam pela região do Delta do Mississipi. Ele sempre estava nas casas onde o blues é tocado e, certa vez, quando pegou o violão em um intervalo dos músicos e tocou mal, um deles mandou que largasse o instrumento para que não desafinasse, isso causou uma profunda tristeza em Robert, fazendo com que ele saísse do estabelecimento jurando que um dia se curvariam ao seu blues.

Robert ficou cerca de 1 ano desaparecido, quando uma certa noite, retornou ao bar portando o violão e silenciosamente sentou-se em um banco e começou a afiná-lo. Todos ainda se lembravam dele e esperavam o pior do jovem com um violão, no entanto, Robert começou a tocar com uma habilidade fora do comum para quem ficou apenas um ano fora, partido praticamente do zero. Isso foi responsável pelo surgimento da lenda de que Robert teria encontrado o diabo em uma das encruzilhadas de terra do Delta do Mississipi e pedido para ele afinar seu violão em troca da sua alma, algumas pessoas disseram até mesmo ouvir um segundo toque enquanto Robert executava as notas no violão, como se outra pessoa, invisível, tocasse com ele.

Suas músicas, que sempre traziam referências do voodoo praticado pela comunidade negra dos Estados Unidos daquela época, ajudaram a popularizar essa história entre os brancos católicos e protestantes. Robert morreu aos 27 anos, envenenado após uma briga de bar, deixando, apesar da pouca idade, um legado inestimável à black music.

O que achou do nosso texto sobre o blues?

Deixe seu comentário e prepare-se para ler mais textos sobre black music e cultura black no geral. Separei um especialmente para você: as tranças nagô e as escravas brasileiras.

Igor Gomes: Redator, social media, negro com índio. Contato (84) 9 9651-6451

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